O mercado de bebidas, no Brasil e no mundo, mistura tradições centenárias e pequenas companhias familiares, destilarias de grande porte, companhias globais que atendem a centenas de países, distribuidores independentes, exportadores e importadores. Isto sem falar no que o setor põe em movimento, criando empregos e riqueza na indústria do bem viver: bares, restaurantes, casa noturnas, hotéis. Uma cadeia estimada hoje em R$ 2 bilhões de faturamento (a cifra vai para R$ 8 bilhões para o mercado como um todo, incluindo as cervejas) e que responde por 60 mil empregos diretos e outros 240 mil empregos indiretos (excluídas as cervejas).

Como em todos os setores, as dificuldades conjunturais não são poucas e a carga tributária, especialmente pesada. O que acaba levando também à competição desleal, indo da sonegação fiscal ao contrabando e, ao crime hediondo, segundo a lei brasileira de falsificação de produtos.

Mas, mesmo com as dificuldades criadas pela persistente queda da renda disponível e o poder de compra dos consumidores, o setor de bebidas brasileiro tem apostado no futuro, criando fronteiras notáveis de crescimento da nova região vinícola do vale do São Francisco, em Pernambuco, à nova categoria de bebidas misturadas do tipo "Ice". Inovação e diversificação têm sido a chave para a sobrevivência.

São inúmeras as opções, qualquer que seja a perspectiva. Para cada categoria de bebidas, existe um leque variado de consumidores e uma gama de ocasiões diferentes de consumo. Da balada ao jantar especial de celebração. Uma dose de cachaça ou de vodca pode ser servida pura para degustar, batida com fruta, misturada a outras em coquetel. A linha é interminável. Como são intermináveis as classificações dos vinhos, os sabores dos aperitivos e licores, as variações dentro de uma mesma ocasião de consumo. Essa diversidade evidencia o fôlego da indústria de bebidas para reciclar-se e sintonizar-se com seu tempo e seus consumidores.

 

As batidas, lideradas pela popular caipirinha, são outro nicho explorado com sucesso pelo segmento da cachaça. O êxito dá-se devido, principalmente, à variedade de frutas no Brasil que possibilita múltiplas misturas e drinques, e reduz o teor alcoólico.

Uma nova fronteira de crescimento para o setor; seguindo a explosão de milhões de garrafinhas na Inglaterra e nos Estados Unidos, o segmento de bebidas prontas para beber virou mania de adultos e jovens no verão do novo milênio e segue inovando e buscando sua posição na mesma ocasião de consumo das cervejas, já tendo ultrapassado a marca dos dois milhões de caixas em menos de dois anos. Uma tendência muito especial tem sido a dos energéticos, chegando a 1 milhão de caixas, bebida não alcoólica adotada com entusiasmo pelos consumidores jovens, que contam com 25 marcas par escolher.

Olhando-se para as categorias como um todo nestes primeiros anos do milênio, constata-se uma estabilização das vendas, a taxa de crescimento estimada entre 1% e 2% em 2002 comparado com 2001, seguindo os dados da agência Nielsen de pesquisa e a publicação especializada International Wines and Spirits Review (IWSR). Em meio a esse cenário de vitalidade, impressiona a capacidade de renovação da indústria do vinho nocional. Os produtores brasileiros fizeram desse rito de passagem uma busca constante da excelência e profissionalização. Em primeiro lugar, na década de 90, houve investimento na melhora da qualidade das uvas, quando novas mudas foram importadas da Europa e dos Estados Unidos. Num segundo momento, aperfeiçoou-se o processo de fermentação e vinificação, e modernizou-se o maquinário, com a troca das pipas de madeira pelos tonéis de aço inox e barris de carvalho. Esses movimentos resultaram em premiações internacionais e mais qualidade e charme às garrafas nacionais.

A cachaça foi uma das categorias que mais investiram em controle de qualidade e marketing para mudar de status, prospectar o mercado internacional, e sepultar de vez o preconceito que ameaçava a bebida. As empresas tornaram as garrafas e os rótulos mais sofisticados, detalhes que surtiram efeito na estratégia de internacionalização do produto. Apesar de incipiente, as exportações representam cerca de 1% da produção de 2002, mas crescem em média 10% ao ano.